PDD | O DILEMA DOS CEREAIS INTEGRAIS

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SUMÁRIO

UM NOVO OLHAR SOBRE GRÃOS COMPLETOS (INTEGRAIS)

Há espaço para mais do que arroz branco na dieta renal? Um novo olhar sobre grãos integrais (completos).

Estudos realizados nas últimas décadas mostram que os pessoas com Doença Renal Crónica (DRC), incluindo pessoa em pré-diálise, não beneficiam da restrição dos alimentos vegetais

É do conhecimento geral no campo da nutrição renal que o arroz branco e os produtos de grãos refinados são encorajados para os doentes em diálise, uma vez que são baixos em potássio e fósforo. Ao longo dos últimos anos, grãos integrais como quinoa, teff, farro, freekah, e espelta, para citar alguns, estão a voltar às prateleiras. Os cereais integrais são fontes ricas em fibras, vitaminas e minerais e são naturalmente baixos em sódio, com a maioria contendo menos de 10mg por porção de meia chávena. São uma grande fonte de ferro, zinco, magnésio e vitamina E como também fornecem uma variedade compostos fenólicos, como lignanas, ácido ferúlico e o ácido cinâmico, e fibras dietéticas como os beta-glucanos, e outros compostos como inositóis e betaína.

Um grão inteiro tem 3 partes principais, a camada exterior chamada farelo, uma camada intermédia chamada endosperma, e uma camada interior mais pequena chamada germe. O farelo contém a maioria dos fitonutrientes dos grãos e o conteúdo de fibras. O endosperma é a maior parte do grão e contém hidratos de carbono amiláceos, proteínas e uma pequena quantidade de vitaminas e minerais. O germe ou o embrião da planta é onde a maior parte das vitaminas, e minerais, proteínas e gordura são armazenados. Os cereais integrais são recomendados para uma dieta saudável. Concretamente sabe-se que o seu consumo está associado à redução do risco para doenças como a diabetes tipo 2, a doença cardiovascular e alguns tipos de cancro. A Organização Mundial de Saúde recomenda para uma alimentação saudável o consumo de cereais integrais.

No entanto, os grãos refinados são frequentemente aconselhados sobre grãos inteiros para pessoas com doença renal, devido aos níveis mais baixos de potássio e fósforo. Uma vez que a maioria dos nutrientes presentes no grão estão localizados no germe, os grãos refinados contêm menos potássio e fósforo do que o grão completo (integral); além disso, as vitaminas B, ferro, zinco, fibras e fitoquímicos também se perdem. Os cereais refinados têm frequentemente níveis elevados de açúcar, gordura ou sal adicionados, geralmente têm um índice glicémico mais elevado do que os seus equivalentes de graos inteiros.

Embora os grãos integrais possam conter mais potássio e fósforo do que os grãos refinados, deverá isto ser uma razão para eliminar os grãos inteiros da dieta renal?

Tem sido demonstrado que o fósforo naturalmente presente nos alimentos à base de plantas não é bem absorvido. A diminuição da absorção resulta na falta da enzima necessária para quebrar os fitatos presentes nos alimentos à base de plantas. Estima-se que apenas 30%-50% do fósforo inorgânico presente nas fontes vegetais é absorvido.5

E o potássio? Actualmente, carecem de estudos baseados em evidências que demonstrem que a ingestão dietética de potássio está associada ao aumento dos níveis séricos de potássio e se seguir uma dieta pobre em potássio ajuda mesmo a prevenir a hipercaliemia. Sabe-se que a hipercaliemia aumenta o risco de mortalidade em doentes em diálise, mas são necessários mais estudos para determinar o papel do potássio dietético nos níveis séricos de potássio e o seu risco na mortalidade.

O benefício com grãos inteiros é que eles são ricos em fibras e podem ajudar a aumentar o volume fecal e prevenir a obstipação. A produção de fezes tem um grande efeito na remoção de potássio do corpo, este mecanismo fisiológico de remoção de potássio tem provado ser mais elevado em pessoas com doenças renais.

A fibra dietética é descrita como material vegetal intacto e intrínseco que não é digerido pelas enzimas do trato gastrointestinal. Pode ser solúvel ou insolúvel. A fibra insolúvel é responsável pelo aumento do volume e fluidez das fezes, e também pelo estímulo da motilidade intestinal. Este tipo de fibra é também hidrolisada pelas bactérias da flora intestinal. A fibra solúvel atrai a água e se transforma em gel, atrasando a digestão e absorção de nutrientes.2

Hayes et al. mostrou que a excreção de potássio nas fezes era 3 vezes superior em pessoas em hemodiálise, atingindo até 3.000 mg/dia a ser excretado nas fezes.

Estudos têm demonstrado que a obstipação ocorre a uma taxa mais elevada em pessoas em hemodiálise, possivelmente devida a restrições em frutas, vegetais, grãos integrais e fluidos.4

Os alimentos que contêm mais de 200mg de potássio por porção podem ser considerados alimentos com elevado teor de potássio e são frequentemente restritos ou limitados na dieta renal.

Lista de Grãos na Ordem do Menor ao Maior por Teor de Potássio1

Análise nutricional de grãos intwgrais apresentada acima, há muitos grãos integrais onde o tamanho de 1/2 porção é bem inferior a 200mg de potássio.


Pontos-chave a considerar...

  • Fibra é essencial para a saúde intestinal, a digestão e a prevenção de doenças crónicas. Promove o bom funcionamento intestinal, aumentando a fluidez das fezes. O potássio é excretado nas fezes. Uma dieta pobre em fibras aumenta o risco de obstipação e, portanto, pode sofrer de uma diminuição da eliminação de potássio.
  • O fósforo nos alimentos vegetais (como os grãos integrais) é 50% menos absorvido, devido aos fitatos nas plantas. Preocupados com o fósforo em grãos integrais quando o fósforo em produtos animais ou alimentos processados é absorvido a uma taxa mais elevada. 1
  • Existem cereais integrais que tem menos de 200mg/porção que são identificados como "baixo teor de potássio" (cevada, bulgur, arroz selvagem, arroz castanho, aveia).

Educar as pessoas que sofrem da Doença Renal a consumir grãos integrais. Adequar o tamanho das porções para evitar a ingestão excessiva, pode ser um objectivo ideal para as pessoas com Insuficiencia Renal


Publicado por: 🌱 au_tavares | 2022-05-22 | Última atualização: em atualização

Referências Bibliográficas

[1] Brittany Sparks, Is There Room for More Than White Rice in the Renal Diet? A New Look at Ancient Grains, Journal of Renal Nutrition, Volume 28, Issue 3, 2018, Pages e15-e18, ISSN 1051-2276, https://doi.org/10.1053/j.jrn.2018.02.002

[2] APN (n.d).Associação Portuguesa de Nutrição Retrieved April 22, 2022, from https://www.apn.org.pt/index.php

[3] Hayes CP Jr, McLeod ME, Robinson RR. An extravenal mechanism for the maintenance of potassium balance in severe chronic renal failure. Trans Assoc Am Physicians. 1967;80:207-16. PMID: 6082243.

[4] Fliss E.M. Murtagh, Julia Addington-Hall, Irene J. Higginson, The Prevalence of Symptoms in End-Stage Renal Disease: A Systematic Review, Advances in Chronic Kidney Disease, Volume 14, Issue 1, 2007, Pages 82-99, ISSN 1548-5595, https://doi.org/10.1053/j.ackd.2006.10.001

[5] Moe, S. M., Zidehsarai, M. P., Chambers, M. A., Jackman, L. A., Radcliffe, J. S., Trevino, L. L., Donahue, S. E., & Asplin, J. R. (2011). Vegetarian compared with meat dietary protein source and phosphorus homeostasis in chronic kidney disease. Clinical journal of the American Society of Nephrology : CJASN, 6(2), 257–264. https://doi.org/10.2215/CJN.05040610



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