Nefrologia

Os rins mantêm o nosso organismo "limpo", filtrando do sangue os produtos tóxicos e a água que ingerimos com a alimentação, produzindo urina. Além do trabalho de "limpeza" os rins têm outras funções muito importantes.

Provavelmente, há já algum tempo que faz uma série de analises periódicas ao sangue e à urina que servem para controlar o funcionamento dos seus rins.

Estas análises ajudam a perceber se algumas das substâncias tóxicas que costumam ser filtradas nos rins, estão a aumentar no sangue e, sobretudo, quais os seus valores.

No dia anterior às análises, pode comer e beber normalmente, a menos que o médico ou enfermeiro lhe tenha recomendado o contrário.

Lembre-se que o exercício físico intenso antes da colheita de sangue pode interferir no resultado das análises.

 

Análises ao sangue?

 

  • Creatinina: é uma substância produzida nos músculos e transportada no sangue. Normalmente, quando o sangue passa no rim, é filtrada e expelida com a urina. A creatinina é fácil de medir, basta fazer uma colheita de sangue e verificar o seu valor. A creatinina aumenta no sangue quando os rins já não filtram bem. Assim, é um indicador específico da função renal.

 

 Importância da creatinina no diagnóstico

 

A taxa de filtração glomerular é calculada a partir da concentração da creatinina no sangue.  A clearance (depuração) da creatinina mede, a quantidade creatinina eliminada na urina. É normalmente medida na análise à urina das ultimas 24horas: confrontando a creatinina do sangue com a da urina conseguimos obter a percentagem de função renal definida pela “clearance da creatinina”, numa percentagem. Só se aconselha o início da diálise quando a clearance da creatinina se encontra entre os 10% e os 15%. Cada um tem as suas características particulares e será o seu médico (nefrologista) a avaliar o melhor momento para iniciar uma técnica dialítica. 

Quando a clearance da creatinina diminui a creatinina aumenta no sangue. Isto significa que os rins não filtram do sangue toda a creatinina em excesso.

 

  • Hemograma: hemograma consiste na avaliação dos componentes celulares do sangue com a determinação dos valores de hemoglobina, hematócrito, glóbulos vermelhos, leucócitos, contagem diferencial dos leucócitos, plaquetas e observação de esfregaço.

 

A diminuição da hemoglobina no sangue, pode também acompanhar uma disfunção renal.

 

A anemia pode surgir no início do diagnóstico da doença renal e agravar à medida que os rins perdem a sua capacidade de filtração e de produção de uma hormona importante denominada por eritropoietina (EPO). A EPO é responsável pela produção de glóbulos vermelhos (transportam o oxigénio para todos os órgãos e tecidos do organismo). Quando existe Doença Renal os rins não conseguem produzir a EPO em quantidade suficiente e como consequência há uma redução de glóbulos vermelhos surgindo a anemia.

O início da terapêutica dialítica muitas vezes melhora a anemia pela remoção de toxinas urémicas que inibem a eritropoietina endógena. Contudo, sem a administração de eritropoietina exógena, a maior parte dos doentes são incapazes de manter um nível adequado de hemoglobina. Refira-se, no entanto, que a anemia nos doentes em diálise é multifatorial.

Alterações da função renal também se podem expressar por alteração de alguns iões como o potássio, o cálcio ou o fósforo, que não sendo tóxicos, podem, quando os seus níveis não estão regulados, ser prejudicais e desregulem o equilíbrio fisiológico do nosso corpo.

 

 

  • Potássio: uma das funções dos rins é regular a quantidade de potássio no sangue: estes são responsáveis por excretar 90% da carga ingerida de potássio, sendo o restante eliminado através das fezes. Os iões de potássio são filtrados no glomérulo: 65% da reabsorção ocorre no túbulo proximal. Quando os rins não são capazes de cumprir esta função de forma eficaz, o nível de potássio no sangue sobe.

 

O potássio é o mais importante e abundante catião intracelular. É obtido através da alimentação, sendo preservado ou eliminado pelos rins consoante as necessidades celulares. Uma diminuição da taxa filtração glomerular, qualquer que seja a causa, predispõe ao desenvolvimento de retenção de potássio, hipercaliemia, corrigida pela diálise.

 

  • Fósforo: é um elemento inorgânico importante para a formação do tecido ósseo, no armazenamento e libertação de energia, com tampão ácidobásico urinário e no metabolismo dos hidratos de carbono; 85% armazenado no tecido ósseo e 15% no tecido muscular esquelético. É fornecido pela alimentação e eliminado pelo rim.

Com o tempo, a doença renal pode afectar também os ossos. Entre as análises prescritas pelo seu médico, estarão também os valores do cálcio, fósforo e PTH (a paratormona, uma hormona (hormona paratiroideia) que regula a saúde dos ossos).

 

  • Cálcio: é fornecido pela alimentação e a sua importância advém não só pelo facto de ser o maior constituinte mineral do osso, mas também por ser o mensageiro irónico intracelular mais importante na ativação e regulação de uma variedade de processos bioquímicos e fisiológicos.

A homeostasia do cálcio é mantida pela interação de três grandes sistemas orgânicos - o intestino (absorção), rins (eliminação) e osso (reservatório) e ainda por hormonal.

A absorção intestinal do cálcio é controlada pelo metabolismo ativo da vitamina D, a qual é produzido no rim. Paralelamente com a progressão de uma insuficiência renal, a produção do metabolismo ativo da vitamina D diminui e implicitamente a absorção intestinal do cálcio que associada à hiperfosfatémia

 

  •  PTH: a paratormona é segregada pelas glândulas paratiróides, é metalizada pelo fígado e rim. É diretamente responsável pela regulação da concentração séria do cálcio e fósforo.

A principal lesão resultante do aumento de paratormona nos insuficientes renais crónicos terminais - hiperparatiroidismo secundário - é a doença óssea (osteodistrofia renal), cujos sintomas predominates são dores ósseas, articulares, por vezes incapacitastes, e prurido.

 

  • Ureia: é uma substância formada no fígado, resultante do metabolismo enzimático das proteínas. É filtrada pelo glomérulo renal e reabsorvida em pequena quantidade pelos túbulos, sendo a quantidade restante excretada na urina. Existem várias causas de elevação dos valores da ureia sérico-azotémica, entre as quais as renais, por diminuição da filtração e excreção da urina.

Como a creatinina, também a ureia aumenta no sangue quando os rins estão doentes e diminui na urina. Esta é outra análise importante que ajuda a perceber o funcionamento dos rins e em que estado se encontram.

Quando a ureia aumenta muito no sangue, provoca sintomas como náuseas e vómitos, mau hálito, falta de apetite.

 

  • Albumina: está análise é importante porque serve para saber se apresenta um bom estado de nutrição. Em algumas doenças renais existe perda de albumina para a urina o que constitui um fator de agravamento da função renal. Um valor normal de albumina pode indicar que o seu organismo utiliza bem os alimentos que ingere.

 

  • Ferro Sérico: é um elemento necessário em muitos processo biológicos, sendo principalmente um constituinte da hemoglobina. A segunda causa mais comum de anemia nos doentes em diálise é por deficiência em ferro, devido a perdas sanguíneas (hemodiálise - sangue residual no circuito extracorpóreo, frequentes colheitas de sangue, aumento de perdas gastrointestinais), não esquecendo as necessidades aumentadas de ferro na terapêutica com estimuladores da eritropoiese.

 

  • Ferritina: o seu nível é um indicador das reservas em ferro. É uma proteína de fase aguda cujos níveis aumentam inespecificamente durante a infeção, inflamação e na urémia. 

O nível de ferritina abaixo do normal pode indicar que a pessoa tem deficiência de ferro. Outro quadro que afeta os níveis de ferro é a anemia, que é a quantidade insuficiente de glóbulos vermelhos no sangue aos quais o ferro se liga.

 

 

Análise à urina para que serve?

São muito importantes e ajudam a perceber como estão os seus rins. Se a urina não contém todas as impurezas produzidas pelo metabolismo, isso significa que os rins não purificam o suficiente. Por outro lado, é importante saber quanta urina produz o rim, para verificar se todo excesso de líquidos é expelido.

Para ter esta importante informação, efetuam-se dois tipos de análises:

 

  • Urina das 24 horas: análise das últimas 24horas: colhe-se urina das últimas 24horas anteriores à análise e mede-se a quantidade, a presença de proteínas, eletrólitos, ureia, creatinina, etc. (É importante colher a urina das 24horas de forma correta.)

 

  • Sumária: é o exame das suas características gerais (cor, cheiro, densidade, volume...) e a pesquisa de elementos anormais da mesma, como glicose, acetona, albumina, ph, sangue entre outras, e análise de sedimentação.

A presença de glicose na urina sem ser diabético costuma ser um sinal de doença nos túbulos renais. Isso significa que apesar de não haver excesso de glicose na urina, os rins não conseguem impedir sua perda.

Proteínas que circulam no sangue são grandes demais para serem filtrados pelo rim, por isso, em situações normais, proteínas não costumam estar presentes na urina.

Presença de sangue na urina (hematúria) pode ocorrer por diversas doenças, tais como infeções, pedras nos rins e doenças renais graves

 

Pode controlar e acompanhar, em conjunto com o médico / enfermeiro, a evolução da função atual dos seus rins. Tudo isto o irá ajudar a sentir-se melhor nesta fase.

 

Publicado: portaldadialise | 2017-05-31 14:00 Última atualização: 2017-06-01 09:24:59 Fonte: Tags : Anemia, Diagnóstico, Fósforo, Hematúria, Nefrologia, Potássio, Prevenção
Partilhar:
Portal da Diálise

"Privilegia informação clara sobre a doença renal, assentando numa base de conhecimentos científicos actualizados"

Artigos Relacionados
Comentários