Diálise Peritoneal

Não deixe que a doença lhe retire o prazer de conhecer nem que a rotina dos seus tratamentos o impeçam de ser livre e realizado. Lembre-se que é tudo uma questão de organização e planeamento!

 

Muitas das pessoas a quem é diagnosticada insuficiência renal crónica e existe a necessidade de iniciar tratamento dialítico pensam que a partir daquele momento a sua vida vai passar por estarem longos períodos numa clínica de diálise a realizar tratamento de hemodiálise. O primeiro pensamento que têm é que a partir daquele momento vão estar durante 4 horas, 3 dias por semana, dependentes de uma máquina. No entanto, existem outros tratamentos dialíticos menos divulgados que possibilitam que o doente renal crónico seja mais independente e autónomo no seu tratamento. É o caso da diálise peritoneal (DP).

O doente em diálise peritoneal, após ensinos, realiza o tratamento em casa, de forma autónoma, consoante o que foi prescrito e acordado com o médico e enfermeiro. É o doente que, com base naquilo que aprendeu, vai organizar o seu dia por forma a conjugar os períodos em que tem de efetuar o tratamento com as suas atividades de vida normais (trabalho, escola ou atividades sociais). O doente passa a dispor de mais tempo livre para viver a sua vida da forma mais normal possível, o que lhe vai proporcionar um maior controlo sobre a sua vida diária e, consequentemente, uma maior qualidade de vida.

 

Dialise Peritoneal Continua Ambulatoria VS Dialise Peritoneal Automatizada

A diálise peritoneal opção: diálise peritoneal continua ambulatória (DPCA) e diálise peritoneal automatizada (DPA).

Na diálise peritoneal continua ambulatória o doente realiza 3-5 trocas manuais diárias, consoante a prescrição médica. As trocas não exigem a utilização de nenhum equipamento especial e têm uma duração de 20-30 minutos, período de tempo no qual o doente pode ver televisão ouvir musica, por exemplo. Estas trocas não têm que ser necessariamente realizadas todos os dias a mesma hora, nem tão pouco no mesmo espaço físico (desde que reunidas todas as condições de higiene e assepsia exigidas nas trocas). O doente pode assim organizar o seu tempo por forma a manter os seus compromissos quer pessoais quer profissionais e ao mesmo tempo não comprometer o seu tratamento.

Na diálise peritoneal automatizada as trocas ocorrem na maior parte das vezes durante o período noturno. Antes de ir dormir vai conectar o cateter de dialise peritoneal a uma cicladora que irá realizar as trocas continuamente enquanto a pessoa dorme, normalmente num período de tempo entre 8 a 10h. Pela manhã só tem de desconectar a cicladora e preparar-se para um novo dia de trabalho ou de aulas sem que se tenha de preocupar com trocas durante o dia.

A escolha entre a diálise peritoneal continua ambulatória e a diálise peritoneal automatizada é feita com base nas características do doente, condição clínica, preferência pessoal e estilo de vida. Ambas permitem ao doente dispor de mais tempo livre para se dedicar a atividades como o trabalho, a escola, saídas com amigos, ir a um restaurante, praticar exercício físico ou ir de férias, sem que estas atividades interfiram com o tratamento. Cabe ao médico e enfermeiro adequar e aconselhar qual a melhor opção de diálise peritoneal para cada doente.

 

Após seis meses de caminhadas de meia hora, cinco dias por semana, as 20 pessoas observadas tinham os respetivos sistemas imunológicos mais fortes, em comparação com um mesmo número de pessoas sem especial atividade física, refere o artigo publicado no Jornal da Sociedade Americana de Nefrologia

 

Atividades da vida

A diálise peritoneal permite que disponha de tempo livre para se continuar a dedicar quer ao trabalho quer aos estudos, consoante seja o caso. O horário das trocas é ajustado com o médico por forma a permitir à pessoa manter o seu trabalho e continuar a frequentar as aulas sem que o tratamento interfira com as mesmas. Por vezes, pode haver necessidade de adequar ou inclusive mudar mesmo de trabalho para diminuir os níveis de stress e os esforços físicos que até ali eram exigidos.

 

Recomenda-se que 50% das proteínas ingeridas sejam de alto valor biológico, ou seja, proteínas de origem animal. As mais aconselhadas são: a carne, de preferência as carnes magras, peixe, clara do ovo, pois possuem menor teor de lípidos e colesterol. De um modo geral a dieta deve comportar mais proteínas, menos farináceos e menos gorduras animais.

 

Alimentação equilibrada

Apesar do doente renal crónico ter de seguir uma dieta adequada ao seu diagnóstico clínico não quer dizer que numa situação especial não possa comer num restaurante. Prefira restaurantes que cozinhem na hora e dêem preferência a ingredientes frescos. O facto do doente renal em programa de diálise peritoneal ter poucas restrições dietéticas (menos sal, açucares e gorduras) torna mais fácil a adequação da dieta quando se vai a um restaurante. Para o doente que faz Diálise Peritoneal uma alimentação equilibrada irá melhorar a sua qualidade de vida. Recorde-se da frase de Henri Bergson: Escolher é excluir

 

Atividade física

A prática de exercício físico é benéfica para qualquer pessoa e ainda mais para doentes renais em programa de dialise peritoneal uma vez que estes têm tendência, por exemplo, ao aumento de peso e a ficarem obstipados. Para iniciar um programa de exercício físico regular deve começar por andar a pé ou mesmo pelas tarefas domésticas. Quando sentir que está confortável com o exercício praticado pode começar com outros desportos mais exigentes como, ténis ou o ciclismo. Devem ser evitados exercícios que provoquem aumento da pressão abdominal e exijam levantamento de pesos. O exercício praticado deve estar sempre adequado à sua condição física e deve ser aconselhado pelo médico e/ou enfermeiro que o segue.

 

A marcha é um bom exercício, todos os desportos de contato como o futebol, o basquetebol, o pugilismo, artes marciais, o mergulho, que podem danificar o cateter.

 

Diálise em férias

Um doente em diálise peritoneal pode ir de férias desde que seja tudo previamente discutido e programado com o médico e enfermeiro. Após verificar se encontra apto fisicamente para viajar, a equipa de saúde vai entrar em contacto com a empresa responsável pelo fornecimento do material. Por sua vez a empresa vai programar a entrega do material no seu destino de férias (nacional ou internacional) na data prevista de chegada. Todo este procedimento deve ser tratado com bastante tempo de antecedência por forma a garantir que tudo esteja pronto quando for de férias.

Podemos concluir que ser doente renal não é sinónimo de não ter tempo livre para aproveitar a vida. A diálise peritoneal veio revolucionar o conceito de tempo despendido no tratamento dialítico. As trocas devem ser ajustadas para que a pessoa possa continuar com a sua vida da forma mais natural e mais semelhante aquela que teve até ali desde que isso não comprometa o tratamento.

Referências Bibliográficas:

[1]. PHIPPS, Wilma J.; SANDS, Judith K.; MAREK, Jane F. (2003). Enfermagem Médico-Cirúrgica. Conceito e Prática clínica (Vol.3). Loures: Lusociência.

[2]. POTTER, Patricia A.; PERRY, Anne G. (2003) Fundamentos de Enfermagem- Conceitos e Procedimentos. 5ª edição. Lures: Lusociência

[3]. O Seu Guia Pessoal de DP – Informação Terapêutica. Maia: Fresenius Medical Care

[4]. Diálise Peritoneal Contínua Ambulatória – Guia de Orientação para o Doente Renal. Lisboa: Associação Portuguesa de Insuficientes Renais.

[5]. RODRIGUES, Anabela. (2010) Diálise Peritoneal – Uma diálise feita em casa: para quando a opção? Lisboa: Lidel.

Publicado: Andreia | 2017-07-23 00:00 Última atualização: 2017-07-23 19:13:31 Fonte: Tags : Diálise Peritoneal
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Andreia Santos

 

Enfermeira no Serviço de Nefrologia Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra

A doença renal crónica exige ao doente a reorganização de toda a sua vida social, familiar, escolar ou laboral.

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