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Para a grande maioria dos doentes renais, a ideia de desfrutar de umas merecidas férias ou de simplesmente viajar pode motivar receios e dúvidas.

 

Quais os receios e as dúvidas mais frequentes levantados pelos doentes em programa de diálise nas vossas unidades antes de decidirem se vão ou não de férias, dentro ou fora do país?

Resposta: O principal receio prende-se com a possibilidade, em si mesma, de poderem afastar-se da clínica na qual são tratados. Para um doente renal, a clínica na qual é tratado representa a ligação que tem a um tratamento essencial para a sua sobrevivência. A simples ideia de afastar-se da clínica é bastante assustadora. Mas há mais entraves: a doença renal, muitas vezes, acarreta impactos psicossociais muito importantes, afastando o doente renal do seu habitual papel familiar, alterando dramaticamente a sua vida e a sua rotina, etc. Somado a isso, infelizmente, para muitos doentes o custo associado a umas férias é impeditivo. Todas estas barreiras são relativamente ultrapassáveis, e isso é o que a ajuda em poderem ir de férias se torna importante: é possível começar, nem que seja por dois dias fora, a custos acessíveis, a reconquistar um pouco de normalidade na vida e a perceber que é possível essa normalidade. É isso o mais importante da diálise em férias.

 

Reconhecidos alguns incómodos de viajar, que benefícios pode uma deslocação turística trazer a um doente com Insuficiência Renal Crónica?

Resposta: Como disse, para um doente renal, o maior benefício é esse mesmo: o reconquistar de alguma normalidade na vida. Segundo muitos testemunhos que recolhemos, o mais importante para muitos doentes é poderem chegar a casa e dizer: “tomei uma decisão, este ano vamos poder tirar uns dias de férias todos juntos outra vez”. Para um doente ou para uma doente renal, já de si preocupado com o impacto que o tratamento causa na sua vida e da sua família, é muito importante o poder sentir-se, de novo e o mais possível, dono do seu destino. A diálise em férias pode ajudar nesse sentido, e isso é o maior benefício que traz.

 

O que deve levar cada doente consigo para a viagem?

Resposta: Deve ser enviada em nome do doente, com a devida antecedência, para a clínica que o vai receber, a sua prescrição clínica (de tratamento de medicação). Além disso, deverão ser enviados para a clínica que o vai receber os resultados dos seus exames serológicos. O Doente não necessita de levar nada, pois encontrará tudo na clínica de destino. No caso de se deslocar dentro do Espaço Europeu, deverá levar o seu Cartão Europeu de Seguro de Doença, pois é através dele que o seu tratamento será pago pelo Sistema de Saúde do seu país de origem.

 

Que qualidades – do país e dos vossos serviços – levam a Diaverum a considerar Portugal “o destino ideal” para umas férias em segurança para os pacientes em tratamento?

Resposta: Portugal é um país fantástico para férias. O clima, a gastronomia, o elevado número de pontos de interesse (sejam praias, sejam cidades, seja campo) e a hospitalidade e simpatia das pessoas, aliados aos bons preços da hotelaria, todos contribuem para essa realidade. Relativamente ao turismo de saúde em geral e à diálise, em particular, contribuem para isso a qualidade do Sistema Nacional de Saúde e a da diálise que se pratica nos centros de diálise em Portugal. A rede de centros convencionados não só é extensa, cobrindo todas as regiões de Portugal e ilhas, como a qualidade da hemodiálise que é praticada é de excelência (ao nível das melhores do mundo). No caso particular da Diaverum, os resultados clínicos em Portugal situam-nos no topo dos 18 países nos quais a Diaverum está presente.

 

De que países provêm os dialisados que escolhem Portugal como destino turístico?

Resposta: Na sua maioria, e no caso da Diaverum, a maioria dos Doentes originam na grande faixa de população portuguesa que reside no estrangeiro e que regressa a casa para férias. No entanto, tem sido crescente o número de estrangeiros que escolhe Portugal como destino de férias. As proveniências são muito variadas, mas adquirem especial importância o Brasil, a Inglaterra, a Alemanha e a Espanha.

 

A mensagem que gostávamos de transmitir é a de que “tudo é possível”

 

Tem dados estatísticos que facilitem o traçar de um perfil do turista dialisado que vem a Portugal, e dos turistas portugueses? (Idade, classe social, tipo de tratamento escolhido)

Resposta: Como aquilo que mais nos interessa é o de permitir a todos os doentes renais um readquirir da normalidade que representa poder ir, nem que seja uns dias, de férias, não despendemos muita energia a estudar perfis de “mercado”. No entanto, sabemos que em média, um turista passa uma semana em Portugal (realiza, portanto, entre 3 e 4 tratamentos) e que viaja, normalmente, acompanhado. A idade média situa-se um pouco abaixo da média da idade média dos doentes em diálise (entre os 40 e os 50 anos). A ideia de tirar férias em segurança e de conseguir encontrar, com facilidade, uma clínica no destino, está mais disseminada nos países nórdicos e do centro da Europa, nos quais essa necessidade – devido ao clima – também se faz sentir mais, e portanto, socialmente, o usufruir de férias é uma realidade bastante democratizada e transversal.

 

No próximo dia 18 de Setembro promovem a reunião “Diálise em Férias” em Cascais. Quer levantar a ponta do véu sobre o testemunho que o doente-viajante-entusiasta Dani Gallego vem partilhar a este encontro? Que outros pontos altos do certame destaca?

Resposta: O Dani Gallego é um ser humano invulgar a todos os títulos. São poucos as pessoas que já viajaram por 40 países, como ele. Sejam, ou não, doentes renais. O convite feito a este doente não quer, de forma alguma, dizer que seja este o perfil típico do doente renal que faz férias. A mensagem que gostávamos de transmitir é a de que “tudo é possível” e de que os prestadores de cuidados de saúde se conseguem organizar, em conjunto, para ajudar os doentes a reconquistar a normalidade das suas vidas. É esse o ponto alto da reunião: juntar Associações de Doentes Renais de todo o mundo, agências de viagens especializadas em ajudar Doentes Renais e representantes da Diaverum nos países, para perceber como fazer a experiência de tirar umas férias algo o mais simples e seguro o possível. A pequena feira de turismo em diálise que se vai realizar, também será – esperamos – uma possibilidade de mostrar aos doentes renais portugueses alguma da oferta que existe e que está disponível.

 

Que aspectos há a melhorar na parceria entre os operadores turísticos e as unidades de diálise?

Resposta: Tentamos, no caso da Diaverum, introduzir alguns pontos importantes nessa parceria. O primeiro, e para nós muito importante, é de que a Diaverum não faça qualquer ganho financeiro com as férias dos Doentes renais: nós somos pagos pelos Sistemas Nacionais de Saúde para realizar tratamento à doença renal e é só isso que fazemos a todos os doentes que se sentam nas nossas clínicas, tendo a obrigação de o fazer o melhor que nos for possível. As agências de viagem têm a sua actividade, ligada ao turismo dos doentes, completamente distinta da nossa. O segundo ponto prende-se com o não pretendermos qualquer regime de prioridade ou de preferência dos nossos parceiros: o importante é que os Doentes recebam tratamento de qualidade no local pretendido, seja com a Diaverum ou noutra qualquer clínica. Temos muito orgulho em ter ajudado muitos doentes, nossos e outros. Dito isto, há muitos pontos em que as parcerias funcionam de forma exemplar, a começar pela simplificação do processo de escolha e marcação do destino pretendido para férias, cada vez mais fácil para qualquer doente.

 

 

Que associações de doentes renais vão estar presentes nesta  iniciativa e que papel têm na melhoria dos vossos serviços?

Resposta: Até ao momento já temos inúmeras confirmações. Desde as associações Portuguesas, Espanholas, Italiana, Francesa às associações de Doentes do Reino Unido, Holanda, Irlanda, Suécia, Polónia e Hungria passando por presenças menos habituais, tais como as da Turquia e mesmo de uma Associação de Doentes de Shangai, na China. O papel destas associações é o mais fundamental: são elas que representam os doentes, que têm canais de comunicação estabelecidos com os doentes e que os ajudam e incentivam a viajar, nomeadamente organizando viagens de grupo.

 

Haverá espaço para a discussão de novas parcerias neste evento em Cascais?

Resposta: Esperamos que sim. É esse, em boa medida, o objectivo: pôr em contacto doentes, associações de doentes, agentes de viagens especializados e prestadores de serviços. Para que a rede funcione, mais do que parcerias formais, é necessário que as pessoas se conheçam mutuamente, para que se possam ajudar e ajudar os doentes a viajar, e isso vai sem dúvida acontecer.

 

Que serviços incluem os pacotes propostos pelas agências de viagem que trabalham com a Diaverum?

Resposta: Isso é muito variável, do ponto de vista do pacote turístico, consoante o que for pretendido pelos doentes e disponibilizado pelas agências. Do ponto de vista das clínicas Diaverum, que é aquele sobre o qual posso falar, incluem, é claro, o tratamento bem como o cargo de toda a documentação necessária e à comunicação entre os médicos da clínica de origem e a clínica de destino. Gostamos também de ter uma pessoa da Diaverum permanentemente disponível, no país de destino, para acolher os doentes e os seus familiares e os ambientar com o local, com a clínica e para servir de ponto de apoio caso haja alguma necessidade do ponto de vista médico.

 

Lisboa, Porto, Cascais e Figueira da Foz. A oferta das vossas unidades de saúde faz-se sobretudo no litoral do país. Estão a apostar sobretudo no turismo costeiro, da praia, do Verão? Porque não no interior, ou perto de outro tipo de turismo, mais rural, por exemplo?

Resposta: A rede de clínicas da Diaverum em Portugal, felizmente, está dispersa um pouco por todo o país. Desse ponto de vista, podemos servir necessidades de férias bastante variadas. A nossa clínica do Peso da Régua, por exemplo, é bastante procurada (quer por emigrantes quer por doentes em férias vindos do estrangeiro). De qualquer forma, caso um doente esteja interessado num destino, qualquer que ele seja, no qual a Diaverum não esteja presente, colocamos o mesmo empenho e energia em ajuda-lo a estabelecer contacto com outra clínica que possa aí estar presente.

 

A estandardização de processos é uma das virtudes do vosso programa de diálise. Há, ainda assim, ligeiras diferenças nos tratamentos de país para país onde operam?

Resposta: A Diaverum funciona num sistema de “Policies and Procedures” (algo como linhas orientadoras e procedimentos). As linhas orientadoras, obedecem às melhores práticas internacionais do ponto de vista médico e são comuns a todos os países. Essas são, depois, traduzidas em procedimentos que obedecem também às normas e legislação local. Há portanto, ligeiras diferenças. No entanto, a estandardização, quer na prática dialítica quer na própria formação das equipas de enfermagem, é a regra. O mesmo se poderá dizer acerca do ambiente vivido nas clínicas da Diaverum. É verdade que estes são factores que contribuem para a efectiva segurança dos Doentes.

 

Nas equipas de saúde, em cada um dos países de destino, há profissionais com competências linguísticas que lhes permita comunicar facilmente com os doente em programa de diálise em viagem?

Resposta: Cada vez mais, isso é uma realidade. É feito, sim, um esforço nesse sentido, o que nem sempre é fácil.

 

Como se processa a comunicação entre as clínicas de origem e destino? São trocadas antes da viagem informações sobre o estado clínico do doente-viajante?

Resposta: Existem procedimentos a cumpridos, a nível internacional: o envio da prescrição de tratamento e de informação sobre o doente, nomeadamente resultados das análises serológicas. Essa comunicação é levada a cabo entre profissionais médicos das clínicas de origem e de destino, em estrito cumprimento da protecção de dados médicos. O fundamental é que o doente não tenha de preocupar-se com isso, por tudo ser tratado pelos profissionais ao cargo dos quais está a sua saúde.

 

Saliente duas mensagens que receberam de dialisados – portugueses e estrangeiros – sobre a diálise em férias nas vossas unidades de saúde.

Resposta: São, felizmente, inúmeras, o que nos deixa muito felizes. Não consigo, efectivamente, destacar nenhuma pois sinto que estaria a ser injusto. Aquelas que mais nos tocam são as que nos agradecem o empenho em ajudar, pois é e deve continuar a ser, precisamente isso aquilo que nos move.

 

A vida não se limita à sala de diálise

 

A Diaverum oferece serviços de diálise a doentes em trânsito pelo mundo durante todo o ano? Destaque os destinos mais escolhidos por portugueses.

Resposta: Sim, temos inclusivamente doentes que por motivos profissionais se vêem obrigados a viajar a trabalho. Os destinos mais escolhidos por Portugueses são (além do Algarve, evidentemente, zona na qual a Diaverum não tem clínicas) as grandes capitais europeias: Paris, Londres, Madrid.

 

Que recomendações quer deixar os leitores do Portal da Diálise que ainda tenham dúvidas sobre se devem ou podem – ou os seus familiares, amigos e conhecidos – ir de férias ou não?

Resposta: A única recomendação que consigo dar é a dizer que a vida não se limita à sala de diálise na qual são tratados e que estamos cá todos, prestadores de cuidados médicos, profissionais de saúde, associações de doentes, agências de viagens, para ajudar a dar esse passo. É muita gente, muito dedicada e que ajuda mesmo: vale a pena experimentar.

 

Diálise em férias – uma tendência em crescimento

A reunião anual dedicada ao tema Diálise em Férias irá ocorrer 17 a 18 de Setembro em Cascais, considerado Concelho Piloto para o Turismo de Saúde. O encontro é promovido pela Diaverum, um dos principais prestadores de cuidados médicos na área da Doença Renal Crónica, em Portugal e no mundo, parceira da Câmara de Cascais para a área da saúde renal. Participam nesta reunião mais de 15 representantes de associações de doentes renais de vários países europeus e asiáticos, assim como agências de viagens especializadas no apoio a Doentes Renais. Entre o painel de oradores será possível ouvir o testemunho entusiasta de um doente viajante, Dani Gallego, subordinado ao tema “Um doente em diálise que viaja pelo mundo”.

Com este encontro a Diaverum promove de uma forma ativa o contacto entre todos os agentes que tornam possível o serviço Diálise em Férias. Este é um serviço que assegura a todos os doentes que desejem deslocar-se dentro de país - longe da sua clínica de residência, ou até para o estrangeiro – umas férias complementadas com os tratamentos que necessitam, beneficiando de uma experiência simples, segura e revitalizante. A reunião anual contribui para que os doentes saibam que podem e devem usufruir do seu direito a disfrutar de férias ao mesmo tempo que vai mostrar ao mundo que Portugal é o destino ideal para o fazerem, reforçando a ideia de que o nosso país é um destino ideal para o Turismo de Saúde.

Há vários anos que o serviço Diálise em Férias está essencialmente associado aos emigrantes portugueses que vêm passar férias à sua Terra Natal. Contudo, é crescente o número de estrangeiros - maioritariamente alemães, ingleses, espanhóis e franceses - que procuram Portugal para passar férias enquanto recebem tratamento dialítico de primeira qualidade. Muitos doentes portugueses também decidem viajar até ao estrangeiro beneficiando do apoio deste serviço. Através de uma forte rede que envolve 289 clínicas espalhadas pelo mundo, associações de doentes renais dos mais diversos países e agências de viagens especializadas no apoio a Doentes Renais, a Diaverum tem contribuído ativamente para a vinda de doentes estrangeiros a Portugal, prestando tratamentos de excelência.

A Diaverum tem várias clínicas em locais atrativos em Portugal e no Mundo, dos quais se destacam Lisboa, Cascais, Porto, Figueira da Foz, Paris, Londres, Barcelona, Roma, Sicília, Valência, Arles e Marselha, entre outros. Contudo o principal foco de atração é indiscutivelmente a qualidade médica e a estandardização de processos e a formação do seu staff, que fazem com que a experiência de ser tratado na Diaverum seja idêntica onde quer que seja. São estas características e o nível do apoio prestado que fazem com que, cada vez mais, a Diaverum seja o destino escolhido por pacientes em férias, mesmo por aqueles que normalmente não são tratados nas suas clínicas.

André Freitas [Diaverum]

Cargo: Global Lead Holiday Dialysis

Publicado: portaldadialise | 2014-09-01 00:00 Última atualização: 2016-07-22 07:50:04 Fonte: Tags : Diaverum, Férias
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"Privilegia informação clara sobre a doença renal, assentando numa base de conhecimentos científicos actualizados"

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