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A vacinação é uma forma eficaz para prevenir muitas doenças/infecções, não só em pessoas saudáveis como em pessoas com doença crónica. Assim, em mais um ano consecutivo, a Direcção Geral da Saúde (DGS) está a coordenar a campanha de vacinação contra a gripe 2016/2017 em parceria com a SPMS – Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, com a Administração Central do Sistema de Saúde, com o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, as Administrações Regionais de Saúde e os Serviços Regionais de Saúde das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.

A gripe é uma infecção respiratória aguda muito contagiosa, de curta duração, originada pelo vírus Influenza que, ao penetrar no organismo pelo nariz, multiplica-se, passando para a garganta e restantes vias respiratórias, incluindo os pulmões. 

Os primeiros sintomas da doença surgem entre 1 a 4 dias após a infecção pelo vírus e a sintomatologia varia de pessoa para pessoa, sendo que, com o avançar da idade, o grau de severidade dos sintomas aumenta. Ao detectar o vírus da Gripe, o sistema imunitário inicia um processo de defesa.

A gripe afecta milhões de pessoas por ano, das quais cerca de um milhão desenvolvem pneumonias que podem levar à hospitalização e morte. Para além de constituir um grave problema de saúde pública, a gripe é também responsável pelo absentismo laboral e escolar, causando uma perturbação social e económica significativa. 

Deste modo, actuar na prevenção é uma atitude base e imprescindível para combater esta afecção, sendo essencial uma aposta na vacinação contra a gripe. As vacinas usadas na Europa são vacinas inactivadas, preparadas a partir de vírus cultivados, fragmentados e purificados. 

Começou no início de Outubro a campanha da vacinação contra a gripe em Portugal, que decorrerá durante o Outono e o Inverno. O Serviço Nacional de Saúde (SNS) disponibiliza cerca de 1,2 milhões de doses de vacinas para distribuição gratuita, que custaram cerca de três milhões de euros. O Director-geral da Saúde, Francisco George, afirma que são “mais vacinas por menos dinheiro”.

As vacinas gratuitas foram seleccionadas em concurso e são de marcas comerciais que também estarão disponíveis em farmácias, mediante receita médica e com comparticipação.

As receitas médicas nas quais seja prescrita, exclusivamente, a vacina contra a gripe, emitidas a partir de 1 de Julho de 2016, são válidas até 31 de Dezembro de 2016.

A vacinação vai continuar a ser gratuita para pessoas a partir dos 65 anos e para pessoas internadas em instituições, sem necessidade de receita médica ou de pagamento de taxa moderadora. Os grupos prioritários são idosos com 65 ou mais anos, doentes crónicos e imunodeprimidos, grávidas e profissionais de saúde.

É de salientar que utentes a aguardar transplante, sob programa de quimioterapia, com trissomia 21, fibrose quística, doença neuromuscular e com défice de alfa-1 antitripsina poderão, pela primeira vez, receber gratuitamente a vacina contra a gripe.

O governo americano criou uma directiva, através do documento “Healthy People 2010” que estabelece como meta a cobertura vacinal de 90% da população com 65 ou mais anos de idade. No entanto, esse objectivo está longe de ser alcançada nos países onde foram realizados inquéritos para investigar a cobertura vacinal, nomeadamente países europeus e sul-americanos. Denotam-se não só grandes disparidades entre países, como entre as populações de um mesmo país.

Em Portugal e segundo a Subdiretora-Geral da Saúde e especialista em doenças infecciosas, Graça Freitas, a vacinação contra a gripe nos lares é na ordem dos 94%, um “caso de sucesso”, bem superior aos 61% dos idosos vacinados em Portugal. De acordo com a especialista, os lares são “um sítio de grande sucesso da vacinação”, resultado de estratégias e locais diferentes. Acrescenta que “cada unidade organiza-se como quer. O que é importante é que as vacinas cheguem nas melhores condições aos utentes dos lares e que estes depois reportem à Direção-Geral da Saúde”.

 

Gripe 2017

 

 

A vacinação contra a gripe é fortemente recomendada para os grupos alvo prioritários, nomeadamente:

 

  • Pessoas com idade igual ou superior a 65 anos;

  • Doentes crónicos e imunodeprimidos, com 6 ou mais meses de idade;

  • Grávidas;

  • Profissionais de saúde e outros prestadores de cuidados.

 

A imunização contra a gripe é fortemente recomendada e gratuita, no Serviço Nacional de Saúde, para pessoas com idade igual ou superior a 65 anos e para pessoas, independentemente da idade, nos seguintes contextos:

  • Residentes em instituições, incluindo Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas, Lares de Apoio, Lares Residenciais e Centros de Acolhimento Temporário;

  • Doentes integrados na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados;

  • Pessoas apoiadas no domicílio pelos Serviços de Apoio Domiciliário com acordo de cooperação com a Segurança Social ou Misericórdias Portuguesas;

  • Doentes apoiados no domicílio pelas equipas de enfermagem das unidades funcionais prestadoras de cuidados de saúde ou com apoio domiciliário dos hospitais;

  • Doentes internados em unidades de saúde de ACES;

  • Doentes internados em hospitais do Serviço Nacional de Saúde que apresentem patologias crónicas e condições para as quais se recomenda a vacina. Os doentes poderão ser vacinados durante o internamento ou à data da alta;

  • Pessoas sujeitas a terapêutica de substituição renal crónica (diálise);

  • Pessoas submetidas a transplante de células precursoras hematopoiéticas ou de órgãos sólidos;

  • Pessoas a aguardar transplante, Sob quimioterapia, com trissomia 21, fibrose quística e défice de alfa-1 antitripsina sob terapêutica de substituição;

  • Pessoas com doença neuromuscular com comprometimento da função respiratória, da eliminação de secreções ou com risco aumentado de aspiração de secreções;

  • Profissionais de saúde do SNS com recomendação para serem vacinados.

 

A vacinação dos profissionais no activo cujo trabalho resulte num risco acrescido de contrair e/ou transmitir gripe segue critérios definidos pelos Serviços de Saúde Ocupacional. Quando um profissional sem contraindicação médica recusa a vacina, deve assinar uma declaração de recusa. Os encargos resultantes desta vacinação são da responsabilidade da entidade empregadora (pública ou privada).

 

No entanto, é importante sublinhar que uma vacina é uma administração de uma terapêutica pelo que o seu uso tem contra-indicações e carece de precauções. As contra-indicações são:

  • Antecedentes de reacção grave a uma dose anterior da vacina;

  • Antecedentes de reacção anafiláctica a qualquer dos componentes da vacina, nomeadamente aos excipientes ou às proteínas do ovo;

  • Contra-indicação relativa: antecedentes de Síndrome de Guillain-Barré nas 6 semanas seguintes à administração de uma dose da vacina. A decisão de vacinar será ponderada caso a caso. 

 

Poderão ocorrer reacções pós-vacinais, nomeadamente reacções locais como a dor, eritema, formação de um nódulo duro no local de injecção, febre e dores no corpo.

Para as pessoas não abrangidas pela vacinação gratuita, a vacina contra a gripe é dispensada nas farmácias através de prescrição médica e com comparticipação de 37%.

Concluindo, vacinar-se é uma opção pessoal que deve ser ponderada e perspectivada como uma forma de prevenção básica. Não é apenas uma questão pessoal mas de saúde pública, colectiva. Não descure a sua saúde!

 

Referências Bibliográficas:

[1]. Directrizes da Direcção Geral de Saúde

[2]. Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge

Publicado: virginia | 2016-10-19 23:36 Última atualização: 2017-10-27 09:19:22 Fonte: Tags : Prevenção
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Virginia Gonçalves

 

Enfermeira no Serviço de Otorrino, Oftalmologia e Urologia do Centro Hospitalar entre Douro e Vouga

Amante de uma vida saudável e do exercício físico, não descura a família, os amigos, os livros, as viagens, a música e a sua mais recente paixão: Crossfit.

 

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